Falta um mês para o início das Olimpíadas de Inverno de Milão e Cortina d’Ampezzo, e a Itália, país-sede do evento, já definiu sua meta: alcançar 19 medalhas com a delegação Azzurra. Vinte anos após os Jogos de Turim, os italianos querem repetir o protagonismo e evitar qualquer constrangimento dentro e fora das competições.
Enquanto a contagem regressiva avança, os preparativos seguem intensos. As cerimônias de abertura — que acontecerão nas duas cidades-sede — seguem sendo organizadas em ritmo acelerado, ao mesmo tempo em que crescem as preocupações com atrasos em obras e questões logísticas.
Esta será a 25ª edição dos Jogos de Inverno e a primeira com duas sedes principais separadas por aproximadamente 400 quilômetros. Em Milão, na Piazza Duomo, e em Cortina d’Ampezzo, na Piazza Angelo Dibona, os relógios oficiais mantêm o clima de expectativa para o início do megaevento.
O estádio San Siro receberá parte da cerimônia com nomes de peso do esporte italiano, como Arianna Fontana, destaque no short track, e Federico Pellegrino, referência no esqui cross-country. Em Cortina, Federica Brignone, que voltou às competições após grave lesão, e Amos Mosaner, campeão olímpico de curling, devem ser algumas das principais atrações.
O plano de organização dos Jogos prevê 98 projetos de infraestrutura, somando 3,54 bilhões de euros em investimentos. Apenas 13% desse valor é destinado diretamente às competições; o restante se concentra em obras paralelas, sobretudo rodoviárias e ferroviárias, com maior volume na Lombardia e no Vêneto.
Mesmo com avanços, o cenário ainda é de muitos canteiros de obras. Relatório da rede cívica “Open Olympics 2026” aponta que somente 42 projetos devem ser concluídos antes do início dos Jogos. Segundo o documento, 57% das obras devem terminar apenas após o evento — algumas delas, somente em 2033. Além disso, 16 projetos, incluindo oito considerados essenciais, foram entregues parcialmente, e 73% apresentam atrasos. Também houve aumento de custos, com acréscimo de 157 milhões de euros em 34 intervenções.
Sobre as condições climáticas e a incerteza em relação à neve, as autoridades afirmam que as instalações estarão plenamente operacionais, principalmente em Bormio, que receberá provas do esqui alpino.
Ao todo, a Itália deve receber mais de três mil atletas de 96 países, que disputarão 672 medalhas em diversas modalidades. As expectativas são altas — tanto pela performance esportiva quanto pelo desafio logístico de sediar um dos maiores eventos do mundo.
Aline Moraes -Jornalista


